
Trajetória no Subdesenvolvimento
“O
cinema norte-americano, o japonês e, em geral, o europeu
nunca foram subdesenvolvidos, ao passo que o hindu, o árabe
ou o brasileiro nunca deixaram de ser. Em cinema o subdesenvolvimento
não é uma etapa, um estágio, mas um estado
...” Paulo Emílio Salles Gomes define assim o
nosso cinema e disposto a entender melhor as causas de seu
não desenvolvimento, voltou-se para o passado, o início
de tudo (1896) e chegou até 1966, quando o Cinema Novo
estava em plena criatividade e ebulição.
Ele dividiu os filmes em cinco fases: 1896 a 1912; 1912 a
1922; 1923 a 1933; 1933 a 1949 e 1950 a 1966.
É um livro interessante porque permite aos leitores
de hoje descobrirem mais sobre os primórdios da sétima
arte no Brasil. Por exemplo, o Rio de Janeiro viveu o período
aúreo entre 1908 e 1911, quando os filmes cantantes
(em que os artistas se escondiam atrás da tela e acompanhavam
com a voz o movimento das imagens) estavam no auge da popularidade
ou que na terceira fase foram realizados 120 filmes, o dobro
da fase anterior.
Mas o que o livro tem de melhor é o olhar crítico
sobre a produção nacional, desde a explicação
para o sucesso da chanchada nos anos 30, “boa adequação
e submissão à condição geral do
subdesenvolvimento”, até a explicação
do “fracasso” do Cinema Novo nos anos 60. “A
homogeneidade social entre os responsáveis pelos filmes
e o seu público nunca foi quebrada.”
Serviço: Trajetória no Subdesenvolvimento
Autor: Paulo Emílio Salles Gomes
Editora: Paz e Terra
Coleção: Leitura
112 Páginas
Preço médio: R$ 6,00
|
|